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Dinamicas


DINÂMICAS II

Aprendendo o NomeObjetivo: Integrar o grupo e aprender a fixar o nome das pessoas do grupo.
Duração: 20 minutos.
Material: Sala ampla.

Desenvolvimento: Animador solicita que o grupo, de pé, forme um grande círculo. A seguir, dá início ao exercício: dá um passo à frente, diz seu nome, acompanhado de um gesto com as mãos ou com todo o corpo, quando então as pessoas do grupo repetem em coro o nome do animador e fazem o mesmo gesto.
Prosseguindo, a pessoa à direita do animador diz seu nome e cria um novo gesto. O grupo repete o nome e o gesto do colega, e assim sucessivamente até todos se apresentarem.
Avaliação: Comentar a respeito da técnica.

Os peixinhos no aquário!
Grupo: Esta dinâmica pode ser utilizada com alunos de várias faixas etárias em diversas disciplinas. Ou até mesmo em reuniões de pais.
Objetivos: Desenvolver o raciocínio lógico, o sentido reflexivo e crítico, de tal maneira que possam tornar-se cidadãos conscientes de seus deveres e direitos. Comparar diferenças e igualdades.
Tempo: 1 aula.
Local: sala de aula ou sala grande.
Material: papel pardo, durex, música Peixe vivo, papel sulfite, lápis preto, Lápis de cor, borracha, giz de cera, tesoura, etc.
Desenvolvimento: Faça o desenho de um aquário do tamanho de um papel pardo e fixe-o na lousa. Coloque a música Peixe vivo para eles ouvirem e peça que cantem juntos...
Entregue aos pais um pedaço de papel sulfite (1/4) e peça-lhes que desenhem um peixinho, como desejarem... (tenha a disposição lápis preto e de cores, borracha, giz de cera, tesourinha etc...) e depois recortem. Peça que, assim que terminem, vão à lousa e fixem seu peixinho no aquário.
Após todos fixados, peçam para que eles observem o que realizaram e manifestem o que entenderam sobre a atividade... deixe-os à vontade para falar...
Se necessário, vá conduzindo a conversa para o lado da moral, da ética, do respeito às diferenças individuais.
Pergunte: “Todos os peixinhos estão iguais? Por que são diferentes? (porque todos somos diferentes, temos gostos diferentes, habilidades diferentes, conhecimentos diferentes).
Todos os peixinhos estão indo para mesmo lado? (não) Porque? (porque temos objetivos, metas e sonhos diferentes, caminhamos por caminhos diferentes, viemos de famílias diferentes, etc..) Mas apesar de todas estas diferenças todos são iguais nas suas necessidades de sobrevivência.
Como a gente pode transferir estas idéias para a vida escolar? (aquário = escola; Peixinhos = alunos, professores, funcionários e pais)
Como convivermos juntos, sabendo lidar com estas diferenças, em casa e na escola?
E assim em diante, de acordo com o retorno dos pais...
Conclusão: As dinâmicas na sala de aula têm uma boa aceitação por parte dos pais e facilitam muito a relação professores-pais.

Auto-retratoObjetivo: Favorecer a integração do grupo, a percepção e o conhecimento do outro através da linguagem não verbal.
Duração: 1 hora.
Material: Folha de papel ofício branco e pincel atômico.

Desenvolvimento: Pedir que cada treinando faça seu "auto-retrato", escolhendo um objeto ou uma imagem que represente a sua característica pessoal mais marcante. Obs.: Pedir que não coloquem nome na folha e não olhem o trabalho dos colegas. Assim que terminarem o desenho, o facilitador recolhe todas as folhas e as redistribui, de forma que cada treinando não receba o seu próprio desenho. Cada treinando vai olhar o desenho que recebeu, imaginar a característica que ele representa e apresentar o possível colega portador desta qualidade. Ex.: Este desenho é um enorme sol, que para mim representa calor humano, amizade, e eu acho que é o Fulano, que tem esta característica. Depois da apresentação, vai pegar a gravura e deixar no centro da sala. Quando todos terminarem, pedir que cada treinando peque o seu desenho e faça a apresentação de sua característica, dizendo se o colega acertou ou não a característica e o desenho.
Observação: Pode acontecer que na primeira apresentação, alguns treinandos fiquem sem ser apresentados e outros sejam apresentados mais de uma vez.
Sugestões para reflexão:Como foi identificar o colega pela característica?
Quais as dificuldades encontradas?
Quais os sentidos que vocês tiveram que utilizar? (percepção - atenção - visão ...)
Como você se percebe?
Como as pessoas costumam te perceber?
Como você se sentiu quando o colega estava apresentando a sua característica?
Como você se sentiu apresentando-se?
Atividade complementar: Depois do debate, solicitar que o grupo faça um painel com todas as características, representando "a característica desta turma".
Pontos de reflexão sobre a construção do painel:
Como foi realizada a atividade?
Todos participaram?
Como foi a participação? (lideranças, obstáculos, passividade...).
Como realizamos nossas atividades em grupo?
Que papéis assumimos?

Chegada: as boas vindas:
Objetivo: Auxiliar na apresentação e memorização dos nomes e características dos adolescentes que participam do grupo.
Duração: 20 minutos.
Material: Sala ampla e pares de balas doces.

Desenvolvimento:Trabalho individual: O facilitador passa um saco contendo os pares de balas doces e pede que cada participante retire uma para si.
Após a distribuição aos participantes, pede que cada um procure seu par (de bala igual) e sente-se ao seu lado.
Trabalho em duplas: A bala é liberada para ser chupada. O facilitador orienta para que cada um fale ao seu par sobre o que quiser, por 5 minutos.
Trabalho em grupo: O facilitador pede que os participantes formem um círculo e que cada um apresente o seu par: nome, idade, trabalho, signo, desejos, enfim, tudo o que descobriu sobre a outra pessoa.
É ressaltada a importância de todos estarem atentos às apresentações, pois todos merecem e precisam ser bem recebidos.
Sugestões para reflexão:
Qual o seu sentimento frente ao desconhecido?
Quais as características comuns ao grupo?
Resultados esperados:
Integração do grupo pela apresentação.
Descontração do grupo para iniciar os trabalhos.
Aprofundamento recíproco das características do grupo

O JOGO DAS SAUDAÇÕES
OBJETIVO GERAL: Facilitar o entrosamento, despertar a cordialidade e espontaneidade.
OBJETIVO ESPECÍFICO: Atividade inicial para promover aproximação entre os colegas, ou entre eles e crianças novas, no primeiro dia do ano em que se encontram.
COMO JOGAR:- Peça que todos se levantem e caminhem pelo espaço. Avise que você vai dar um sinal (pode ser uma palma ou apito) e, quando o ouvir, cada um deverá parar diante de um colega, trocar um olhar e acenar com um “tchauzinho”. Quem não conseguir um par para fazer isto irá sentar-se no chão.- A brincadeira recomeça. Todos voltam a caminhar pelo espaço, pois ninguém fica de fora, neste jogo. Só que agora a regra é outra: ao ouvir o sinal, todos vão parar diante de duas pessoas (nenhuma pode ser a mesma de antes), trocar um olhar e perguntar os seus nomes. Quem não conseguir, vai sentar-se no chão. Agora, vamos parar e segurar a mão de três pessoas, que não sejam as mesmas das etapas anteriores.- Em seguida, vamos dar um forte abraço em quatro pessoas...- Para terminar, todos vão cumprimentar quem ainda não cumprimentaram e voltar aos seus lugares.

Você já viajou de trem alguma vez?

Numa viagem de trem podemos notar uma grande diversidade de situações, ao longo do percurso.
E a nossa existência terrena bem pode ser comparada a uma dessas viagens, mais ou menos longa.
Primeiro, porque é cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em algumas partidas.
Quando nascemos, entramos no trem e nos deparamos com algumas pessoas que desejamos que estejam sempre conosco: são nossos pais.
Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituíveis...
Mas isso não impede que durante a viagem outras pessoas especiais embarquem para seguir viagem conosco: são nossos irmãos, amigos, amores.
Algumas pessoas fazem dessa viagem um passeio. Outras encontrarão somente tristezas, e algumas circularão pelo trem, prontas a ajudar a quem precise.
Muitas descem e deixam saudades eternas... Outras passam de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são caros, se acomodam em vagões distantes do nosso, o que não impede, é claro, que durante o percurso nos aproximemos deles e os abracemos, embora jamais possamos seguir juntos, porque haverá alguém ao seu lado ocupando aquele lugar.
Mas isso não importa, pois a viagem é cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas...
O importante, mesmo, é que façamos nossa viagem da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os demais passageiros, vendo em cada um deles o que têm de melhor.
Devemos lembrar sempre que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisemos entendê-los, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, certamente, haverá alguém que nos entenda e atenda.
A grande diferença, afinal, é que no trem da vida jamais saberemos em qual parada teremos que descer, muito menos em que estação descerão nossos amores, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.
É possível que quando tivermos que desembarcar, a saudade venha nos fazer companhia...
Porque não é fácil nos separar dos amigos, nem deixar que os filhos sigam viagem sozinhos. Com certeza será muito triste.
No entanto, em algum lugar há uma estação principal para onde todos seguimos...
E quando chegar a hora do reencontro teremos grande emoção em poder abraçar nossos amores e matar a saudade que nos fez companhia por longo tempo...
Que a nossa breve viagem seja uma grande oportunidade de aprender e ensinar, entender e atender aqueles que viajam ao nosso lado, porque não foi o acaso que os colocou ali.
Que aprendamos a amar e a servir, compreender e perdoar, pois não sabemos quanto tempo ainda nos resta até à estação onde teremos que deixar o trem.
* * *
Se a sua viagem não está acontecendo exatamente como você esperava, dê a ela uma nova direção.
Se é verdade que você não pode mudar de vagão, é possível mudar a situação do seu vagão.
Observe a paisagem maravilhosa com que Deus enfeitou todo o trajeto...
Busque uma maneira de dar utilidade às horas. Preocupe-se com aqueles que seguem viagem ao seu lado...
Deixe de lado as queixas e faça algo para que a sua estrada fique marcada com rastros de luz...
Pense nisso... E, boa viagem!

http://ceacaminhodaluz.blogspot.com/2012/02/voce-ja-viajou-de-trem-alguma-vez.html

Jogo para praticar adjetivos



quem-sou-euDepois de ensinar os adjetivos aplique o jogo do personagem oculto (que você pode ver clicando no link) é uma forma muito boa de praticar.
Antes de preparar o jogo procure descobrir quais são os ídolos dos alunos, os personagens que estão em evidência na época e assegure-se de que seja alguém realmente bem conhecido tanto por você (para julgar se estão usando os adjetivos de forma correta) quanto por eles (para entenderem como usar os adjetivos).
Você tanto pode indicar os personagens que eles irão usar (melhores resultados) ou permitir que o aluno escolha e diga a você. Ou pode também fazer o jogo em duas partes, na primeira com todos os grupos concorrendo entre si e você escolhendo o personagem, e depois promova uma “negra” entre os dois grupos com maior pontuação, com o aluno escolhendo seu personagem.
Zailda Coirano

Jogo do ABC para vocabulário


vocabulárioEsse jogo já foi descrito aqui e é muito interessante porque favorece não só a aquisição de vocabulário como também ajuda a melhorar a pronúncia dos alunos.
O professor pode preparar vários cartões com tópicos de vocabulário (animais, partes do corpo, disciplinas escolares, etc.). Os alunos ficam em círculo e o professor escolhe um cartão de forma aleatória (animal, por exemplo) e diz um
 animal que comece com a letra A. O aluno de sua direita deve dizer um animal com a letra B, o seguinte com a C e assim por diante.
Quando um aluno errar ou não souber, sai do círculo. O próximo aluno depois dele escolher um cartão e a brincadeira começa novamente com o novo tópico, começando da letra A até alguém errar.
Os alunos vão saindo do círculo até que sobre apenas um, que será o vencedor. O professor apenas inicia o jogo mas não participa da brincadeira.
Zailda Coirano

Alfabeto e números com bola



numerologia3Eu já expliquei aqui como praticar o alfabeto com uma bola. Para ver mais, clique no link.
O mesmo jogo pode ser usado para praticar os números, até onde você ensinou. Digamos que você tenha ensinado de 1 a 50, então coloque os alunos em círculo, diga o número 1 e jogue a bola para um aluno do círculo, que deve dizer o número 2 e jogar a bola para outro aluno que deve dizer o número 3 e assim por diante, até que alguém erre.
O aluno que errar ou não souber sai do círculo (e vai continuar aprendendo, vendo os outros jogarem). A bola volta para o professor que começa do 1 novamente.
O vencedor será o aluno que permanecer até que os outros tenham saído. O professor não participa da brincadeira, apenas recomeça-a quando é interrompida.
Zailda Coirano

Projeto: vida e alimentação saudável



I - JUSTIFICATIVA

A escola é um espaço privilegiado para a promoção e desempenha papel fundamental na formação de valores, hábitos e estilos de vida, entre eles o da alimentação. A promoção de uma alimentação saudável no espaço escolar pressupõe a integração de ações em três pontos fundamentais: ações de estímulo à adoção de hábitos alimentares saudáveis, por meio de atividades educativas que informem e motivem escolhas individuais; ações de apoio à adoção de práticas saudáveis por meio de uma alimentação nutricionalmente equilibrada no ambiente escolar e ações de proteção à alimentação saudável, por meio de medidas que evitem a exposição da comunidade escolar a práticas alimentares inadequadas.

II - OBJETIVOS

Geral

  • Promover o consumo de alimentos saudáveis e a consciência da sua contribuição para a promoção da saúde de forma atraente, lúdica e educativa;
  • Melhorar a qualidade do lanche que as crianças trazem de casa.
Específicos
  • Levar o aluno a valorizar uma boa alimentação;
  • Aprender a escolher alimentos nutritivos e de boa qualidade;
  • Saber adequar a alimentação as suas necessidades;
  • Saber preparar uma receita adequadamente;
  • Adquirir hábitos para uma boa alimentação;
  • Aproveitar os alimentos na época da safra;
  • Classificar a origem dos alimentos.
III - RECURSOS/ESTRATÉGIAS
  • Práticas de cozinhar;
  • Rodas de conversa;
  • Músicas;
  • Teatro/Vendinha;
  • Recorte, colagem e modelagem;
  • Pesquisa em revistas, livros de receita, internet e vídeos;
  • Desenho livre.
IV - PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

  • Conversas e registros sobre alimentação preferida dos alunos;
  • Registro dos alimentos mais consumidos na família;
  • Identificação de semelhanças entre hábitos alimentares dos alunos;
  • Construção de jogos de memória a partir de imagens de frutas, verduras e legumes recortadas pelos alunos;
  • Identificação das frutas, verduras e legumes através do tato e olfato;
  • Solicitar que cada aluno traga de casa uma fruta, verdura e/ou legume e conversar sobre as preferências através da degustação;
  • trabalhar com recorte de frutas, verduras e legumes e pedir que os alunos construam um prato que represente uma alimentação saudável;
  • Palestra com um nutricionista;
  • Simulação de uma feira;
  • Preparação e degustação de receitas saudáveis;
  • Prática de exercício físico;
V - CULMINÂNCIA
  • Palestra com nutricionista, elaboração de um livro de receitas e informações básicas sobre frutas, verduras e legumes e seu valor nutritivo;
  • Prática de exercício físico, envolvendo alunos, funcionários, professores e equipe gestora.
VI - AVALIAÇÃO

A avaliação ocorrerá de forma coletiva com a participação do grupo. Os alunos se posicionarão sobre os pontos positivos e negativos do projeto, através de relatos expostos na sala de aula.

O BÊBADO E A PROCISSÃO




Certa vez, estava um bêbado no bar, quando passou a procissão. O pessoal vinha compenetrado, mas era aquele tipo de procissão toda cheia de fitas coloridas, bem ornamentada. O bêbado vê aquilo, levanta-se da cadeira na calçada e grita, com voz de pingunço:
- Olha a mangueira aí gente!!!!!!
Os fieis se sentem ofendidíssimos! Dois, mais fortes, entram no bar e descem o cacete no bêbado.
A procissão continua, com todo mundo em frente, de olhos baixos, concentrados em sua fé quando… PAF! A Santa bate no galho baixo de uma árvore frondosa e se arrebenta toda no chão.
O bêbado, todo machucado, se aproxima e fala, apontando o dedo:
- Eu disse para tomar cuidado com a mangueira…

DO FILHO PRO PAI



- Pai, posso fazer uma pergunta?
- É lógico, meu filho. O que você quer saber?
- O que é estar bêbado?
- Olha meu filho, é simples. Estar bêbado é como se, po exemplo, em vez destas duas cadeias, eu estivesse vendo quatro.
- Mas pai, aí só tem uma cadeira!

HORAS DE SAUDADE



Tudo vem me lembrar que tu fugiste,
Tudo que me rodeia de ti fala.
Inda a almofada, em que pousaste a fronte
O teu perfume predileto exala

No piano saudoso, à tua espera,
Dormem sono de morte as harmonias.
E a valsa entreaberta mostra a frase
A doce frase qu’inda há pouco lias.
As horas passam longas, sonolentas…
Desce a tarde no carro vaporoso…
D’Ave-Mariao sino, que soluça,
É por ti que soluça mais queixoso.

E não vens te sentar perto, bem perto
Nem derrama ao vento da tardinha,
A caçoula de noas rutilantes
Que tua alma etornava sobre a minha.

E, quando uma tristeza irresistível
Mais fundo cava-me um abismo n’alma,
Como a harpa de Davi teu riso santo
Meu acerbo sobrer já não acalma.

É que tudo me lembra que fugiste.
Tudo que me rodeia de ti fala…
Como o cristal da essência dp oriente
Mesmo vazio a sândao trescala.

O ramo curvo o ninho abandonado
Relembra o pipilar do passarinho.
Foi-se a festa de amores e de afagos…
Eras – ave do céu… minh’alma – o ninho!

Por onde trilhas – um perfume expande-se.
Há ritmo cadência no teu passo!
És como a estrela, que transpondo as sombras,
Deixa um rastro de luz no azul do espaço…

E teu rastro e mor guarda minh’alma,
Estrelaque fugiste aos meus anelos!
Que levaste-me a vida entrelaçada
Na sombra sideral de teus cabelos!...

Castro Alves

HISTÓRIA DE TRANCOSO



Certo dia, um fazendeiro podre de rico encontrou na estrada um padre medrosão que tinha medo de curupira. Mais adiante, os dois conheceram um roceiro com cara de bobo e voz de taquara rachada.
Os três descobriram que não gostavam de viajar solitários: a viagem pormetia ser longa e o caminho, deserto. Resolveram formar um cortejo: o padre e o fazendeiro montados em bons cavalos. O roceiro, num burro velho.
Os três viajantes pararam numa venda. Comeram jabá, com feijão e mandioca, depois um copo de jurubeba.
Antes de dormir, não é que o dono da venda pegou um queijo e cabra e deu de presente para eles? Tão pequetitinho que nem dava para dividir.
O padre, que era muito sabdo, deu uma ideia:
- Vamos dormir. Quem tiver o sonho mais bonito fica com o queijo.
Dormiram que deus deu. No canto do primeiro galo pularam da cama, selaram os cavalos enquanto o roceiro ajeitava seu burro velho. Engoliram café com vento… e pé na estrada.
A fome apertou, o padre foi contando o seu sonho:
- Sonhei com uma grande escada de ouro, cavejada de marfim. Começava juntiho do meu travesseiro… furava as nuvens lá em riba… ia subindo, subindo… e sabem onde terminava?
- Não – respondeu o fazendeiro.
- No céu. Ninguém pode senhar com coisa mais bonita. Conforme o combinado, o queijo é meu.
- Pois eu – disse o fazendeiro, picando o rolo de fumo – sonhei com um lugar iluminadão. Só que não tinha lâmpadas.
- Como não tinha lâmpadas? – perguntou o padre.
- A luz nascia das coisas – explicou o fazendeiro.
- Vocês já viram um cacho de banana servindo de lustre? Pois nesse lugar tinha. Já viram areia de prata de puro diamante? Pois era assim nesse lugar que sonhei.
- E pode-se saber que lugar era esse? – perguntou o padre, sem jeitão.
- O céu. Você sonhou com a escada pro céu. Eu sonhei que já estava lá. Conforme o combinado, o queijo é meu. – O fazendeiro foi abrindo o surrão para pegar o queijo. Jacaré achou? Nem  ele.
- Ué! Onde se meteu o danado?
- Agora que vocês contaram o sonho – falou o roceiro – tenho uma coisa pra contar.
O padre e o fazendeiro olharam o roceiro de banda.
- Cês não ouviram um barulho de noite? Pois era eu que me levantei pra comer o queijo. Como vocês estavam no céu, achei que não precisavam mais do queijo.

Joel Rufino dos Santos. História de Trancoso. Ática.